Nota
A manchete dizia R$ 21 mil. A portaria continua dizendo R$ 13 mil
Em julho a manchete dizia que o Minha Casa Minha Vida ia subir para R$ 21 mil de renda. Tem gente que leu aquilo, abriu a calculadora do celular e refez a conta do apartamento. Teve quem mandasse o link pro marido, pra mulher, pro corretor. Dois meses depois a proposta encalhou no governo. Ninguém avisou.
Quem desenhou o pacote foi a Abrainc, a associação das incorporadoras, e ele chegou ao governo em junho: Faixa 4 de até R$ 21 mil de renda (hoje o teto é R$ 13 mil), imóvel de até R$ 1,2 milhão (hoje R$ 600 mil), com corte de juros nas Faixas 3 e 4. Em 16 de setembro o Estadão apurou que a medida não deve sair: não houve consenso entre Cidades, Fazenda e Casa Civil. Ninguém assinou o atestado de óbito. O Ministério das Cidades respondeu que recebe propostas e avalia “sem compromisso de prazo ou adoção”, que é o jeito educado de não dizer nada.
O que vale hoje é a Portaria 333/2026 do Ministério das Cidades, que fixa a renda da Faixa 4 em até R$ 13 mil. O imóvel vai até R$ 600 mil, a 10% ao ano, pelas condições operacionais do programa. Os dois limites valem juntos, não um ou outro. Estourou qualquer um dos dois, você cai no financiamento comum, onde teto de 10% não existe.
Quem desenhou a proposta vende imóvel. A lógica, segundo a apuração do Estadão, era fortalecer o poder de compra e, com isso, abrir espaço para as construtoras subirem o preço. Faz sentido pra quem vende. Não é a mesma coisa que fazer sentido pra você. Proposta de setor vira manchete com a mesma cara de regra que já vale, e é aí que a conta da sua casa sai errada.
O que eu faria: se a sua renda está entre os R$ 13 mil e os R$ 21 mil, eu simularia hoje, com a régua de hoje, e trataria a ampliação como se ela não existisse. Porque hoje ela não existe. No nosso guia das faixas do MCMV está a tabela vigente com a renda, o juro e o teto de cada faixa.
Portaria você acha no Diário Oficial. Proposta você acha no jornal.
É isso. Com o pé no chão.
Isto é leitura de mercado pra sua decisão, não recomendação de investimento.
Fontes
- Ministério das Cidades: Portaria MCID 333/2026 e faixas vigentes do MCMV (página atualizada em 23/04/2026)
- Estadão / Coluna do Broad: encalha a proposta de ampliar o MCMV para renda de até R$ 21 mil (16/09/2026)
- Nuvem Imobiliária: governo estuda ampliar MCMV e reduzir juros (18/07/2026)
- Forbes: orçamento recorde e faixas do MCMV em 2026 (07/07/2026)
Quer receber a leitura da semana?
Uma leitura por semana sobre imóveis, crédito e moradia, com o número conferido na fonte. Sem indicação de investimento e sem corretor te ligando.